quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

E agora um poema

Foi como flor que se rega todo dia
Foi feito dor e a espera de um bom dia
Foi pela ausência, pelo não sorrir, o ignorar
Foi pelo toque, pela fala e o olhar

Foi sendo aos poucos 
E bem aos poucos me faltou o ar
Foi me esmagando
Foi me afogando e eu nem sei nadar

E aí de repente
Sem nenhum aviso
Me pôs a chorar

Até que escorreu
Todo o sentimento
Pra não mais voltar

terça-feira, 26 de novembro de 2024

A ele

Ao amor que tive e não vivi, que idealizei, que construí planos vazios. A ele dedico silenciosas lágrimas e longos suspiros imaginando tudo que poderia ser e não foi, ou talvez tenha sido de forma incompleta, mas grande, grande demais, grande o bastante pra ultrapassar a dor, o tempo, a morte. Dedico a ele histórias que ainda queria contar e as vezes conto para o nada, olhando no alto a caderneta onde ainda não tive coragem de escrever. A ele dedico uma vontade imensa de gritar e ainda assim engulo calada para não soar louca, mais louca. A ele dedico, pois a mim ele também dedicou e me deixou ser o ser de poesias, e histórias, e de um conto surreal, onde alguém esperou 4 primaveras pra ver uma flor. A ele dedico meu amor. 

sexta-feira, 9 de junho de 2023

Ridículas

          E no fim das contas, eu escrevi, por fim, uma carta de amor. Eu te escrevi uma carta de amor. Se para ser considerada carta de amor precise apenas de amor, não te escrevi apenas esta, mas se de fato precisa de uma declaração, acho que poderíamos chamar esta de pioneira. Mas declarações precisam trazer novidades? Tenho em mim que nada do que eu diga aqui você já não saiba, sei que apenas finge e foge da verdade estampada. Declararei da mesma forma, colcorei em palavras o que os olhos há muito já entregaram. 
          Eu gosto de você. Sei que já te disse antes, com todas as letras, mas anteriormente engoli o resto da minha confissão. Gosto de você não apenas como amigo. Venho me apaixonando aos poucos há algum tempo e acredite eu tentei lutar contra isso, mas me vi remando contra corrente quando te via todos os dias e pensava em você nas horas que não o via. Observa detalhes sem querer, me punha a rir sem porquê e sofria por bobagens, sim bobagens, pois sabia que não tinha direito a reivindicar nada. 
          Não me interprete mal, ou talvez sim, mas a verdade é detesto o fato de ter me apaixonado por você. Apesar de admirar o amor platônico e como ele consegue se sustentar apenas em um ideal, admito que vivê-lo não é algo a ser regozijado,pelo contrário, as vezes, torna-se excruciente, principalmente em nosso caso, pois acima de qualquer coisa há uma amizade que valorizo (e sei que também valoriza), e o cuidado, o carinho, a atenção, provém dela e nada mais. 
          A dialética que vivo agora pelo fato da saudade de não te ver, e da alegria de poder agora tentar te esquecer é o que me faz escrever essa carta. Tentar colocar pra fora o que me consome e me preenche, até o ponto de me fazer inundar. E ai, quando eu já tinha tudo planejado, você me beijou e o odeio por isso, por me fazer retrocedor, por fazer doer, por se calar. Mas no fim, talvez fosse isso que estivesse faltando, eu espero que seja. E hoje, sou eu que me calo. De resto, fica apenas esse adeus.
          

quarta-feira, 17 de maio de 2023

Cartas

                Hoje está sendo doloroso. Por uma bobagem, eu sei, mas são as pequenas dores as que mais incomodam. Como uma pequena farpa, difícil de ser arrancada, de ser vista, no entanto, sentida com intensidade.

                Me aconselharam a transbordar, mas pequenas dores não transbordam. Elas nos consomem e no diminuem para que em algum momento se tornem maiores que nós, e aí sim, se transmutam em lágrimas.

                Um oceano talvez seja a melhor comparação. Sim, um oceano inteiro que não se importa o quão bom nadador você é, ainda assim, ele te engole e faz de tudo para te afogar. E mesmo que no fim você se salve do tal afogamento, e apenas vague boiando por aí, ele irá te ferir, pois um oceano inteiro de água, jamais matará tua sede.

                 E é nesse vagar que perceberá que o mesmo sol que te esquenta, te queima a pele. Quem muito busca o calor, tende a se queimar. Afinal, até o ferro, no mar e no sol, enferruja, deteriora, muda e se torna frágil e gasto.

                Mas falávamos de dor, não é? Daquela que não pode ser vista, de feridas escondidas e muitas vezes imperceptíveis a olhares desatentos. Olhares que ainda cruzando com olhos vazios e negros como turmalina, não conseguem perceber a imensidão, o abismo, a solidão.

                É! O hoje se superou, me superou. Mas como temos a maldita mania de nos deixar consumir aos poucos, aguardarei amanhã pelo meu dia de praia.

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Reciclagem

Descartável, foi assim que me senti. Como um copo de plástico que você joga fora depois de saciar a sede. Colocada de lado como se não fosse nada e de fato, talvez eu não fosse. 
Eu nunca pensei em passar por isso, não dessa forma, eu não tive voz, ou escolha ou nada, mas que escolha tem o copinho de plástico. Amassado, rasgado, descartado. O nome por si só diz seu destino: copo descartável.
Não achei que com pessoas fosse assim tão fácil de se fazer. Sem que nem por que. Sem... Bem, de que adianta. Os destroços que foram jogando ao meu redor antes de me descartar estão aqui, me enojando, me permitindo pensar em como cheguei aqui. Mas a verdade é que pensar assim coloca em mim uma posição de escolha e eu não tive, fui jogada. 
Um dia OK, no outro. 
Talvez agora seja a hora de pensar em reciclagem. Juntar os cacos que um dia formaram a mim. E lembrar, nunca tentar valorizar a amizade de alguém que não acredita que ela teria futuro. 

sábado, 23 de julho de 2022

Plantações

A vida nada mais é que um emaranhado de acontecimentos e ironias que a cada dia nos surpreende, chocam e atingem em partes que por muito tentamos esconder.
Assim se fez em ironia numa tarde fria de sábado a leitura de um livro, que venho postergando em sua leitura.
A comicidade dos fatos se dá por eu ter a inocente crença em uma força que nos leva a determinados caminhos e assim ela se faz, quando em mim, por vezes, se desperta a vontade de ler ou assistir algo que havia deixado de lado esperando pela sensação de ser o momento certo a fazê-lo. 
Confesso que não foi tão somente a história que me golpeou, mesmo tendo ela sua parcela de culpa quando me pus a refletir entre as minhas muitas versões, e talvez a vontade de transparecer uma versão minha que alimento como uma vontade crescente de tê-la, ainda que saiba ser errada, apenas por estar cansada pelas marcas que a ausência dela me causam.
Ao final do livro, a dedicatória, devo confessar que já esquecida, me atingiu. A ironia... "Para aquela que segue colhendo uma plantação que nunca semeou"... Veio até mim, como uma onda que nos pega desprevenidos a beira do mar, o fato que minha última colheita, dolorida e sem razão, veio por sementes plantadas por você, o próprio autor.
Deixo aqui o desabafo da ironia de que tanto falamos disso, e que a mim atribuiu o poder de sorrir mesmo colhendo ervas, e o quão injusto achava. Veio por você as tais ervas daninhas que ainda estão plantadas no meu quintal, e por mais que os sorrisos disfarçados sigam florescendo com muito esforço, ainda me causam dor. 

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Pausa para poesia III

Meu sexo tem gosto de você
Minha pele teu cheiro
Meus olhos teu prazer

Minha boca é tua casa
Nos meus braços é teu lar
Mas no meu coração...

Nesse já não há!

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Na ponta do pé...

      Eu preciso confessar, nunca fui tão feliz, e você caro leitor pode pensar nas mil e uma coisas que mudaram na minha vida, mas a mudança foi uma só e colocou tudo de cabeça pra baixo. Foi ELE, tão lindo, tão carinho, tão maravilhoso. Como não ficar totalmente deslumbrada com alguém assim.
      E foi ai que tudo começou, ELE veio conquistando o espaço dele, começou a fazer com que eu gostasse de coisas que eu por muitas vezes me negava, e me elogiou. Nossa, eu não sei vocês, mas há muito não recebia um elogio, mas um elogio de verdade, aquele sem que nem porque e não pelo fato que você terminou um serviço pra alguém.
      Não só me elogiou, ELE me fez sentir especial, única, amada. Sei que posso estar soando clichê, mas não ligo. Tantos foram os filmes de adolescentes que assisti e fiquei na esperança de que um cara legal me notasse. Bem, não foi nada como nos contos de fada, ou nos filmes, se bem que, toda história, quando bem contada vira mágica, mas ainda assim, foi incrível.
      Nunca pensei que poderia ser tão feliz, me sentir tão completa, nunca pensei em deixar a minha vida por conta do destino, por ter certeza que independente do que aconteça, sei que ELE vai estar lá e por isso não tenho que temer, ELE é o meu futuro e isso é tudo que eu preciso saber.

      Ao meu amado fica minha declaração, de amor, de alma, de tudo! E o meu muito obrigado por me amar, por fazer sentir amada e por ter me dado alguém pra amar.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Desabafos

               Há coisas na vida que talvez nem mesmo Freud explique, tentarei contar a você, caro leitor, minhas dores e anseios, talvez eu consiga, talvez não, porque se torna tão difícil colocar o abstrato em palavras, e dá tanto medo por pra fora e tornar real tudo que um dia só foi um pensamento confuso.
                Vou começar com uma frase, a melhor que encontrei pra definir e resumir tudo isso, “eu me sinto tão amada no seu olhar”. Isso mesmo, o que mais me ama, não são suas mãos, ou sua boca, mas seus olhos, neles eu me sinto verdadeiramente amada, é tanta ternura, tanta pureza, tanta alegria em um só olhar. Dizem que os olhos são o espelho da alma, se realmente forem, então é sua alma que me ama, e ela me completa, pois me sinto completa ao seu lado.
                Amada, é o adjetivo que me define, não sei ainda se posso dizer que se transformou em substantivo, só você poderia dizer isso a mim, mas não importa. Particularmente, a palavra me assustou quando falei. Amada vem de amor e o amor é algo forte demais pra se expor assim. Não, não, é preciso ter cautela, mas o que é de fato cautela pra nós? Deveríamos ter tido cautela pra não nos deixarmos tocar, já não se pode fazer mais nada a respeito.
                A vida, o destino, ou o que quer que seja, vive nos pregando peças, nos testando, me pergunto talvez se sou eu o seu teste. Não me sinto incomodada por esse pensamento, na verdade, se for isso de fato, estou até agradecida, pois nele eu me senti vitoriosa, sem nem ao menos ganhar o jogo.
                O nosso presente é tão puro, tão lindo, tão bom, é o passado que me assusta, o seu. Sei bem daquela velha frase sobre deixar o passado no passado, mas sejamos sinceros, quem faz isso de fato? Ele caminha lado a lado conosco, sempre irá, é inevitável e honestamente, eu temo por você.
                Moveria céus e terra pra te proteger, mas se eu não conseguisse, me culparia para sempre! Não quero e não posso te ver triste, sou tomada pela angustia de te imaginar perdendo qualquer uma das coisas que conquistou, sou tomada pelo medo de te perder aos poucos, talvez por isso a ideia de ser seu teste não me assuste, porque é melhor puxarmos o curativo de uma vez só, a sofrer em parcelas.
                Menino, menino bobo, queria eu poder te colocar no colo, te levar pra longe, te roubar pra mim, queria eu. Não é bem assim, meu bem. Não é assim nem de perto a nossa realidade. Esperemos então, tudo irá se solucionar, por um meio ou outro, sinto honestamente que me perdi em tantas palavras, em meio a tantas pausas que dei durante esta escrita.

                Perdão, caro leitor, eu ia escrever a você, mas ele me tomou o pensamento, como sempre o faz, durante cada segundo de meus dias. Talvez você se identifique, talvez não, de toda forma, foi bom desabafar com você, esse meu texto cheio de talvez e com a certeza de que nada adiantará ter sido escrito.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Certas leituras...

Foi devagarzinho e sem notar, de repente, acabou. Fechei o livro de uma forma doce, e respirei fundo como há muito não fazia. Estranho como um simples livro pode nos fazer sentir. Foi de uma leveza, eu me senti tão bem.
Pensei em você ao terminar, o que não deve estar relacionado ao livro, já que penso em você com uma frequência que me incomoda até os ossos. Ainda assim, achei válido dizer, pensei em você. Não se sinta grande por isso, não pensei em você apenas, pensei em outros dois.
O primeiro, pensei por conta do livro, o outro, pela leveza da alma que sentia naquele momento. É impressionante que não importa pra onde fuja, no fim, tudo me volta a vocês o que me deixa em agonia, por querer parar com essa mania autodestrutiva.
Bobagem minha ficar por ai pensando em uns e outros como se ainda fizessem parte da minha vida ou como se algum dia fosse fazer, mas não pude evitar. Aquele fim de leitura, aquele pôr do sol e aquele monte de sentimento acumulado, aquele caminhão de palavras não ditas e as respirações fundas, que tentavam limpar minha alma.

Foi ai que eu notei, passou. Aquelas páginas, de alguma forma, iniciou um processo de cura em mim. Um dia contarei diretamente a você, a vocês três. Eu me curei, eu não penso em vocês, não desejo falar com você, não sinto dor, não choro. Nesse dia, beberei em homenagem a um, fumarei em homenagem a outro, dançarei em homenagem a outro e me masturbarei até gozar, mas isso será em minha homenagem mesmo.

sábado, 27 de dezembro de 2014

DR's

Não... Me escuta! Não é possível que essa sua maldita mania de tomar suas prioridades como minha não tenha acabado. É, é exatamente isso... Você e sua maldita mania! Egoísta! E – go... Hãn?! Do que você tá falando? Não vê tudo que abri mão por você? Não vê do que estou abrindo mão dia após dia? Eu não posso acreditar no que estou ouvindo... Não, não é possível, parece que não me nota, não sabe nada de mim... Sim, sim, eu tenho necessidades, eu também choro, eu também sinto saudades, eu sou humana sabia? Eu não sei o quanto mais vou aguentar!... É isso mesmo, eu tô cansada! Mais que isso, eu tô exausta! Claro que não vou te deixar, sabe que não poderia, ficaremos juntos até o fim. E sim, você sabe, faço qualquer coisa pra te ver bem. Qualquer coisa! Mas por favor, entenda, eu preciso respirar, preciso ter um tempo de sonhar, um tempo de ócio. Só isso.

sábado, 6 de dezembro de 2014

T

Ele sussurrou em meu ouvido que me amava e eu tentei a todo custo amá-lo de volta. Foi um sussurro tão sincero, tão tocante, qualquer uma ficaria vislumbrada, qualquer uma gostaria de ouvir, mas eu não. Nem tesão eu sentia mais, como podia eu não sentir mais tesão? Às vezes, no meio da noite, quando sabia que precisava de mim e me abraçava, eu pensava que estava longe, queria fugir dali. Meu coração já despedaçado não sabe mais o que é amar e talvez por isso não sinta prazer em ter por perto, mas tesão? Ele me disse que eu não sabia abraçar. Como ousa? Esta é uma das três coisas que sei, junto com sofrer e mentir. Mas ele estava certo, eu não sabia abraçar, então talvez não soubesse mais mentir, e estivesse me enganando achando que estava mentindo quando era a mais pura verdade que dizia. Talvez não soubesse mais sofrer e por isso estivesse me tornando essa pessoa fria, vazia e sem tesão. Mas como se vive sem tesão? Não se vive assim, essa é a verdade. Vou esperar a próxima chuva, para que ela me traga aos olhos a cegueira do prazer, assim talvez eu recomece, eu descubra o que me falta, talvez eu perceba que de tudo, só o que me falta é você.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Um xote

É um abraço meio manso, meio dengoso, meu sem jeito. E você anda abraçada pra lá e pra cá. E encosta o rosto, vai misturando seu cheiro, misturando suor, encostando a perna, o peito, o coração. E vai mexendo o ombro, a perna a cabeça, a mente, a alma. E vai se lavando, se renovando, renascendo a cada giro. E vai encostando mais, se tornando um só, grudando, pertencendo, dançando.  E depois? Você não tira mais esse balanço da cabeça, porque ele te ganhou e você precisa dele pra respirar ou morrer de tanto se afogar nesse prazer.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Esse tal do amor...

            Esse tal de amor que todos buscam me irrita, me causa toda aquela náusea, todo aquele asco que vem de vez em vez, quando você encontra algo que despreza com sua alma. Essa busca pelo tal do amor, isso é o que ela me causa. E não pelo fato de se buscar algo tão remotamente provável, mas pelo fato de que ninguém sabe exatamente o que isso é.
            Encontrar alguém que te faça feliz, que te complete, que te faça sentir a plena e mais pura alegria por acordar todos os dias ao lado de uma pessoa completamente descabelada, com os olhos sujos, cara amassada e sabe-se lá o que mais. Então, me pergunto, porque as pessoas julgam o amor pelo tamanho do sofrimento, pela quantidade de coragem que se tem de arriscar, pelas lágrimas derramadas, pelas noites perdidas, pelas coisas que te faziam bem e que foram deixadas de lado para que se possa obter esse tal amor.
            Não, nenhuma dessas pessoas sabe o que é amor, elas não sabem e nem eu sei. Porque para se sentir algo tão magicamente completo e belo, é preciso se permitir esperar, se permitir ver além, é preciso aprender a aceitar erros, saber que se colocar menor não é amar mais ao outro, é apenas se amar menos.
            As pessoas tem tanta pressa em encontrar algo que as preencha que se jogam no primeiro poço, que tentam e tentam e acreditam que errando vão conseguir acertar, mas a pressa por prazer, por carne, por ter com quem dividir o mínimo que seja de suas próprias aflições os fazem apenas chegar ainda em vida ao fim para qual nós todos estamos destinados, a eterna solidão.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Então...

            Sabe quando aquele cara, aquele, é... Aquele que você havia decidido ser O cara, a quem você dedicava seus melhores minutos do dia, aquele por quem você abriu mão de viver, abriu mão de sair, de ter vida própria, aquele que você imaginou te fazer feliz.
            Sabe quando aquele cara, que te trouxe flores, que te apresentou a todos os amigos, a toda a família, que te levou a todos os lugares e te olhava como se admirasse uma pedra preciosa e se gabava por poder mostrá-la a todos.
            Sabe quando aquele cara, o que iria te dá ou até deu filhos, que te falou de uma vida juntos, que te falou de casamento, que te falou de amor verdadeiro, de amor pra vida toda, aquele que jurou não mentir, não te magoar, não te fazer chorar, que jurou ficar sempre ao seu lado.

            Sabe quando aquele cara, é só um cara, então...

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Like a girl

           Não é sobre vestidos ou saltos altos que te colocam gentilmente como uma bailarina. Não é sobre longos cabelos arrumados, ou tintas que enfeitam a pele. Não é sobre tirar cada fio de cabelo que desarrume o corpo, não é sobre unhas bem feitas. Não é sobre bucetas cheias de sangue, não é nem mesmo sobre útero.
            É sobre poder ser o que quiser, sobre ser quem quiser, sobre poder escolher, sobre ter voz, ter amor, ter coragem e ainda ter energia ao fim de tudo. É sobre um carinho que só quem sente pode falar, é sobre não precisar ser entendida pra ser aceita, é sobre ser de si mesma, sobre querer muito mais, sobre poder querer mais e saber que pode alcançar.
            É sobre cuidado, sobre carinho, sobre atenção, sobre respeito, sobre ver além, sobre amor, na sua mais perfeita descrição, é sobre ser mulher.

sábado, 9 de agosto de 2014

Engarrafamento

            O tempo passa de forma ainda mais homeopática, cada girar de roda, cada um dos milhares de desconhecidos presos nesse desgastante engarrafamento, pensando em tudo que há de se fazer, como, talvez, estão perdendo tempo, parados e trancados dentro de seus carros, como se fossem jaulas a espera de andar mais um pouquinho em busca do tal jantar, do trabalho, do sexo casual em qualquer esquina.
            Eles não notam que não perdem tempo em seus carros, perdem tempo mesmo é a cada dia que vão para aquele trabalho odioso e cruciante, quando andam de mãos dadas com alguém que não é de fato importante, que perdem tempo por omitirem seus sentimentos, perdem tempo por viverem nessa mania de outono, rosto virado para o lado, com olhar perdido em busca de algo que talvez nunca encontrem, pois não prestam de fato atenção, só sobrevivem sem muita esperança do que realmente possa significar isso tudo.
            Talvez fosse essa a hora de notar que suas vidas andam tão paradas quanto as rodas de seus carros, presos nessa longa estrada, hora de perceber que o tempo está passando e é mais que chegada a hora de viver, viver intensamente, buscar um sentido pra o sorriso nosso de cada dia, buscar um amor, buscar um bom livro, buscar olhar as paisagens ao redor, buscar, com todas as suas forças, talvez, ser feliz.

sábado, 26 de abril de 2014

Das coisas que calei

Querida F.,

            Talvez querida não seja a palavra mais adequada a esse momento, mas precisava chamá-la de alguma forma. Sinto por escrever esta carta como se tudo fosse muito natural, mas algumas coisas precisavam ser ditas, pois ao arrumar minhas lembranças, achei uma caixa empoeirada, dentro dela havia todas as coisas que omiti ou oprimi por sua causa.
            Primeiramente, gostaria que soubesse que me dói muito saber que nunca me amou o bastante do jeito que sou, mas apenas a farsa que criei pra te agradar. Nunca deixei de tentar te fazer sorrir, nunca quis te magoar e sempre evitei ao máximo isso, mas você nunca notou, ou fingiu não vê meu sofrimento. Impôs-me de formas brutalmente psicológicas como eu deveria agir, passei tanto tempo interpretando por você que cheguei a me esquecer por um tempo de mim.
            Segundo, me dói ainda mais saber que tem esse pensamento errôneo, machista, medieval e que em nenhum dos seus pensamentos vem a minha felicidade. Nunca ligou o quanto sofri, o quanto chorei, o quanto fui forte por você, pensou apenas que era sua vez de se sentir bem, alheia a tudo que eu sentia. Como pode ser assim? Como pode ser tão insensível aos meus sentimentos?
            Em terceiro, sei de muitas coisas escondidas, como fato que desejou minha morte, ou que disse que passaria a me desprezar por não acatar sua vontade, ou ainda, o fato de que eu me arrependeria. Já me arrependo. Arrependo-me de ter me doado a você, de sempre pensar em você antes de mim. Eu poderia ser tão feliz, mas joguei tudo para o alto e no momento em que busquei estar bem você me tratou como se eu fosse um caderno velho no qual você escreveu o que quis, mas quando não havia mais nada a ser escrito ele se tornou inútil, além do que, você não queria mais nada do que tinha anotado e por isso me jogou pra fora de sua vida.
            Nossa relação ou possibilidade de qualquer tipo de aproximação morreu dois anos atrás e eu, ingênua, não quis vê. Pensei que poderia fazer dar certo, mesmo com tantos indícios que não. Mas como poderia eu desistir tão fácil? Na época realmente não sabia, no entanto, isso me custou caro demais. Não pense que vou chorar por nós, porque não posso mais. Já que é pra morrermos, que seja de forma fria, você quis assim e eu vou respeitar sua última vontade em minha vida.
            Um dia, talvez, perceba tudo que fez comigo, espero que não seja tarde demais. Meu corpo aos poucos vai se tornando inerte, meus pensamentos se calando e meu amor por você morrendo. Meu olhar já estava morto, então talvez, você nem venha a notar, mas dentro deles, hoje, há uma tristeza imensurável e você é a maior culpada dela. E eu, vou me calando e definhando enquanto ninguém vem me resgatar.
            Queria que tudo tivesse sido diferente, queria que tivesse me entendido, tentado me amar por mim, queria que tivesse sido o que fora destinada a ser pra mim, mas sempre agiu distante. Engraçado como não aprendeu nada com a vida, engraçado como a história se repetiu e você interpretou os dois papéis. Engraçado como tudo que digo parece um natural adeus, mas não é.

                                                                       Da quase que sempre sua,

                                                                                                                      P.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Ninfa

            Ela era comum, quase não chamava atenção, comia calada. Não sabia amar. Não sabia fuder. Não gozava. Seu prazer era utópico. Andava por ai com ares de quem buscava não se sabe o que. Dormia e sonhava sendo outro ser. Morreu ainda em vida, era inerte até no cantar. Viveu só e foi sempre só, ainda que rodeada de pessoas. Teve em seu fim um alívio, sentiu tesão pela morte, pelo seu próprio fim, por tudo acabar. Acabou.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

A um passarinho

           Ele estava certo, em tudo. Quando paro para escutar suas letras, para recitar cada verso de minha vida colocado em forma de poema, me surpreendo. Ele não me conheceu, não a pessoa, mas descreveu minha alma como ninguém havia feito. E em meio à solidão, a pia de pratos que espera ansiosa e o barulho da TV pela ilusão de ter alguém por perto, me pego escrevendo.
            Resolvi escrever e pensei, sobre o que? Sobre amor, talvez, mas não seja apta a fazê-lo, de fato, ninguém realmente é. Devo saber discorrer melhor sobre ódio, mas não é algo que valha a pena ler. Quem sabe então sobre a esperança, ainda que não me tenha sobrado muita. No fim, é a solidão que me toma, me nina em seus braços, me traz as palavras e o cansaço, meus olhos caem sobre as páginas, sobre o teclado, sobre meus sonhos.
            Não sei de fato o porquê de está escrevendo agora pra você, caro leitor, sobre coisa alguma. Acredito que seja só um desabafo entre linhas para que você me tire o peso, mas não precise carrega-lo, por não saber de fato do que se trata. Devo, no entanto, confessar que nunca gostei de tentar adivinhar o que se esconde nas entre linhas, sempre tive a maldita mania de interpretar erroneamente os fatos.
            Caso lhe sirva de consolo, talvez nem eu saiba do que estou falando, talvez eu só precise conversar. Essas palavras soltas que lhe dedico não são nada além de pensamentos confusos que já estavam me fazendo doer à cabeça e precisavam sair de alguma forma.
            Como eu disse, anteriormente, a solidão caiu sobre meus olhos, eles cansaram de procurar alguém ao redor e se fecharam. Hora de dormir, de sonhar, de buscar algo que a realidade não pode me oferecer. Hora de tentar me reinventar. A você, que agora me tira um pouco do peso que carrego, o meu MUITO OBRIGADO!