quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

E agora um poema

Foi como flor que se rega todo dia
Foi feito dor e a espera de um bom dia
Foi pela ausência, pelo não sorrir, o ignorar
Foi pelo toque, pela fala e o olhar

Foi sendo aos poucos 
E bem aos poucos me faltou o ar
Foi me esmagando
Foi me afogando e eu nem sei nadar

E aí de repente
Sem nenhum aviso
Me pôs a chorar

Até que escorreu
Todo o sentimento
Pra não mais voltar

terça-feira, 26 de novembro de 2024

A ele

Ao amor que tive e não vivi, que idealizei, que construí planos vazios. A ele dedico silenciosas lágrimas e longos suspiros imaginando tudo que poderia ser e não foi, ou talvez tenha sido de forma incompleta, mas grande, grande demais, grande o bastante pra ultrapassar a dor, o tempo, a morte. Dedico a ele histórias que ainda queria contar e as vezes conto para o nada, olhando no alto a caderneta onde ainda não tive coragem de escrever. A ele dedico uma vontade imensa de gritar e ainda assim engulo calada para não soar louca, mais louca. A ele dedico, pois a mim ele também dedicou e me deixou ser o ser de poesias, e histórias, e de um conto surreal, onde alguém esperou 4 primaveras pra ver uma flor. A ele dedico meu amor. 

sexta-feira, 9 de junho de 2023

Ridículas

          E no fim das contas, eu escrevi, por fim, uma carta de amor. Eu te escrevi uma carta de amor. Se para ser considerada carta de amor precise apenas de amor, não te escrevi apenas esta, mas se de fato precisa de uma declaração, acho que poderíamos chamar esta de pioneira. Mas declarações precisam trazer novidades? Tenho em mim que nada do que eu diga aqui você já não saiba, sei que apenas finge e foge da verdade estampada. Declararei da mesma forma, colcorei em palavras o que os olhos há muito já entregaram. 
          Eu gosto de você. Sei que já te disse antes, com todas as letras, mas anteriormente engoli o resto da minha confissão. Gosto de você não apenas como amigo. Venho me apaixonando aos poucos há algum tempo e acredite eu tentei lutar contra isso, mas me vi remando contra corrente quando te via todos os dias e pensava em você nas horas que não o via. Observa detalhes sem querer, me punha a rir sem porquê e sofria por bobagens, sim bobagens, pois sabia que não tinha direito a reivindicar nada. 
          Não me interprete mal, ou talvez sim, mas a verdade é detesto o fato de ter me apaixonado por você. Apesar de admirar o amor platônico e como ele consegue se sustentar apenas em um ideal, admito que vivê-lo não é algo a ser regozijado,pelo contrário, as vezes, torna-se excruciente, principalmente em nosso caso, pois acima de qualquer coisa há uma amizade que valorizo (e sei que também valoriza), e o cuidado, o carinho, a atenção, provém dela e nada mais. 
          A dialética que vivo agora pelo fato da saudade de não te ver, e da alegria de poder agora tentar te esquecer é o que me faz escrever essa carta. Tentar colocar pra fora o que me consome e me preenche, até o ponto de me fazer inundar. E ai, quando eu já tinha tudo planejado, você me beijou e o odeio por isso, por me fazer retrocedor, por fazer doer, por se calar. Mas no fim, talvez fosse isso que estivesse faltando, eu espero que seja. E hoje, sou eu que me calo. De resto, fica apenas esse adeus.
          

quarta-feira, 17 de maio de 2023

Cartas

                Hoje está sendo doloroso. Por uma bobagem, eu sei, mas são as pequenas dores as que mais incomodam. Como uma pequena farpa, difícil de ser arrancada, de ser vista, no entanto, sentida com intensidade.

                Me aconselharam a transbordar, mas pequenas dores não transbordam. Elas nos consomem e no diminuem para que em algum momento se tornem maiores que nós, e aí sim, se transmutam em lágrimas.

                Um oceano talvez seja a melhor comparação. Sim, um oceano inteiro que não se importa o quão bom nadador você é, ainda assim, ele te engole e faz de tudo para te afogar. E mesmo que no fim você se salve do tal afogamento, e apenas vague boiando por aí, ele irá te ferir, pois um oceano inteiro de água, jamais matará tua sede.

                 E é nesse vagar que perceberá que o mesmo sol que te esquenta, te queima a pele. Quem muito busca o calor, tende a se queimar. Afinal, até o ferro, no mar e no sol, enferruja, deteriora, muda e se torna frágil e gasto.

                Mas falávamos de dor, não é? Daquela que não pode ser vista, de feridas escondidas e muitas vezes imperceptíveis a olhares desatentos. Olhares que ainda cruzando com olhos vazios e negros como turmalina, não conseguem perceber a imensidão, o abismo, a solidão.

                É! O hoje se superou, me superou. Mas como temos a maldita mania de nos deixar consumir aos poucos, aguardarei amanhã pelo meu dia de praia.

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Reciclagem

Descartável, foi assim que me senti. Como um copo de plástico que você joga fora depois de saciar a sede. Colocada de lado como se não fosse nada e de fato, talvez eu não fosse. 
Eu nunca pensei em passar por isso, não dessa forma, eu não tive voz, ou escolha ou nada, mas que escolha tem o copinho de plástico. Amassado, rasgado, descartado. O nome por si só diz seu destino: copo descartável.
Não achei que com pessoas fosse assim tão fácil de se fazer. Sem que nem por que. Sem... Bem, de que adianta. Os destroços que foram jogando ao meu redor antes de me descartar estão aqui, me enojando, me permitindo pensar em como cheguei aqui. Mas a verdade é que pensar assim coloca em mim uma posição de escolha e eu não tive, fui jogada. 
Um dia OK, no outro. 
Talvez agora seja a hora de pensar em reciclagem. Juntar os cacos que um dia formaram a mim. E lembrar, nunca tentar valorizar a amizade de alguém que não acredita que ela teria futuro.