sexta-feira, 8 de junho de 2012

[Não] sentir

_ Sabe algo terrível de se sentir?
_ O que?
_ Nada!
_ Como assim? Tudo é bom de se sentir!
_ Qualquer "sentir" é bom. Não sentir absolutamente nada, é enlouquecedor!

quarta-feira, 6 de junho de 2012

A você


Talvez seja inútil tentar colocar em palavras tudo que se passa na cabeça e no coração, mas é preciso tentar colocar em algum lugar, de alguma forma, caso não o fizesse, acredito que explodiria, é muita dor, muito amor, muitas lembranças, é tudo em excesso e “em excesso até o fracasso faz sucesso por ai”.
Vou te contar tudo, é a você que escrevo, na doce esperança que me escute em prece, ou de qualquer forma, porque não há como não querer ainda conversar, desabafar, te ver sorrir e até mesmo chorar, nem que suas lágrimas caiam através dos meus olhos.
Parece estranho dizer, mas não fiquei triste no dia da sua morte. Lembro quando me disse que queria que acabasse toda a dor que estava sentindo. Fiquei até feliz por ter finalmente encontrado a paz e quando enfim chegamos em casa aquele caixão fechado entrando porta a dentro arrancou da minha alma as lágrimas que a muito estava segurando.
Não fiquei triste durante seu velório. Sei que é ridículo dizer, mas tinha uma esperança estúpida de que você acordasse, dissesse que era brincadeira, se levantasse. Lembrei de quando te olhava dormir, sentia um medo imenso de te perder, mas então você sempre acordava e sorria pra mim.
No caminho para o cemitério comecei a sentir a mais profunda tristeza que um ser humano poderá sentir, me sugava as forças, pensei em não ter nem como continuar a andar e não sei descrever como o fiz, talvez fosse porque não queria ficar distante de você e precisaria continuar aquela caminhada aterrorizante.
Quando vi seu caixão aberto pela última vez comecei a notar o que realmente estava acontecendo e quando começaram a jogar toda aquela terra, eu quis gritar para que parassem, era meu pai ali em baixo e se precisasse de ajuda, tanta terra, iria pesar, mas não havia mais voz, não havia mais nada.
Escondi-me para surtar pela segunda vez e chorar. Devo dizer que todos os amigos que estavam comigo me deram tanta força que até arranquei sorrisos quando chegamos a casa, na nossa casa. Sabe, você conseguiu, pediu para que eu e meus irmãos nos uníssemos, pois estamos mais unidos que nunca.
Fui pra o cursinho na tentativa de fugir de tudo e lá surtei pela terceira vez. Mas até aquele momento as lágrimas me vinham do nada e paravam instantaneamente e eu de repente estava bem de novo. Eu dormi como um anjo naquela noite e você com os anjos, mas dormir é fácil, o difícil é acordar.
O dia que se seguiu foi o pior da minha vida. Veio à tona a certeza de não lhe ter mais e acredite, eu fiz de tudo para me distrair. A casa toda me lembra você. Seus óculos ainda em cima da mesa, seu perfume, sua escova de dente, suas roupas, seu cinto, seus livros, no alto da parede do meu quarto escrito “carpe diem” e a lembrança de nós dois fazendo aquela pintura desajeitada, todo carro igual ao seu que passa, eu olho desesperadamente e todas as plantas ao redor da casa, cheias de vida e você sem a sua.
Nunca imaginei tamanha dor e não a desejo pra ninguém. Ela lhe sufoca, ela vem do corpo, da mente, do coração e da alma. Sua vida é roubada e você continua respirando, seu coração ainda bate e você não entende porque ainda está de pé. Não se há voz suficiente para gritar ao mundo a vontade que tenho de você e que faria tudo pra ter você aqui.
Eu te amo tanto, a cada segundo mais e mais. As lágrimas agora caem do meu rosto o tempo inteiro, pois a todo o momento me desespero com o fato de que você não vai mais estar aqui.
Quando deito ainda lembro-me da última vez que te vi sair daqui de casa, lembro da última vez que dormi junto a você e a minha mãe, lembro do último beijo que te dei já com o corpo gelado, lembro da última vez que vi seus olhos e me lembro que a última coisa que me disse foi que me amava.
Hoje sei o que é um amor incondicional, sei que nada dura pra sempre, sei que sempre vou me lembrar de você e que essa dor jamais terá fim, sei tanta coisa e ainda não sei de nada. Mas a maior certeza que tenho é que sempre, sempre vou lhe amar, que eu te amo e que com você foi-se um pedaço essencial de mim.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Tudo que havia de ser dito

E é justamente nos momentos de solidão que você me vem a cabeça e eu sinto o buraco no peito, que machuca toda vez que tento fingir que não está com você o pedaço que me falta no peito. Todo o resto foi machucado e vai se machucando com suas palavras, com seu desprezo e ficam as dúvidas, de como poderia ter sido, de como é possível ter tido uma pessoa e perdido e o porque de prosseguir te amando, por mais que você não acredite nesse amor! Sobra tanta falta. Falta de tudo, dos sonhos, das lembraças, falta de você, falta de mim. Falta tudo. Seguir talvez não seja a melhor opção, no entanto, é a única. Porque não há como ficar calada, parada, e não pensar que sem você sempre há de me faltar algo, algo tão essencial quanto o ar, mas eu tive que aprender a sobreviver sem, a morrer em vida, todos os dias...

sábado, 19 de maio de 2012

Se passa... por aqui


Por mais que não se acredite, há coisas que são feitas sem pensar. Sabe-se que é um erro, mas faz-se da mesma forma. Há coisas boas que acontecem em momentos ruins, são corrompidas pelos momentos ruins e apodrecem. Há historias de amor tão intensas que duram instantes. Há sorrisos que demonstram mais tristezas que enxurradas de lágrimas. A verdadeira ironia da vida é viver. Eu sinto muito, realmente sinto. Nunca amei tanto e nunca magoei tanto alguém. Em outra hora, outra situação, tentaria ser perfeita. Perfeição está tão longe de mim por hora. Inerte sim, volto a ser o que era antes pra conseguir sobreviver ao tsunami que se aproxima. Ele vem vermelho, sujo, hemorragia interna. Só quem passa sabe o que é estar confusa a ponto de não se reconhecer mais. E ter na lágrima do outro sua própria cova.

domingo, 6 de maio de 2012

Doce infância


            Quando criança adorava tempo de chuva. Lembro de jogar na cama dos meus pais, deitar entre eles e ficar por horas conversando e vendo TV, não havia nada que pudesse superar essa alegria. Um único cobertor protegia os três do frio, nos unia a cada segundo mais, ali soube o que é está plenamente feliz, não importavam os problemas, ali somente havia amor e felicidade.
            Nas noites de pesadelo, sabia que podia chamar, sempre haveria minha mãe por mim e se eu pegasse no sono no sofá, meu pai faria dos braços berço e me levaria até a cama me dando um último beijo de boa noite. Às vezes ainda me deixavam dormir na cama deles, ali eu sabia que nada no mundo poderia me ferir, eu sonhava, desejava a eternidade daquele momento.
            Agora as noites de frio me assustam por não ter ninguém por mim, se dormir no sofá, o mais próximo de mudança é acordar no chão e a felicidade, essa eu nem sei onde foi parar. Eternizo apenas lembranças, torço para que amanheça depressa, temo a qualquer barulho e choro por medo, da solidão, do frio, da indiferença.
            Meus ombros andam caídos, pesam uma tonelada e sorrir me custa. Acordar com a casa vazia e o café por fazer tira o pouco de ânimo que tento ao máximo reter em mim. A luz do sol me cega, não me deixa enxergar a vida, as flores ou o que possa haver de belo.
            Mas esse desabafo é a toa, nada vai mudar, amanhã começa tudo de novo, amanhã só terei a certeza de ter aguentado firme por mais um dia. E amanhã espero que os “adeus” que recebi não doam tanto, não me façam chorar, porque aos poucos estou secando, me perdendo de mim e não sei se saberei voltar.