terça-feira, 16 de abril de 2013

Decisões de felicidade


Alguns anos atrás, me deparei com uma garotinha que segurava uma rosa em sua mão, segurava como quem segura um tesouro, como se aquelas pétalas fossem seu grande e maior tesouro. Mas era só um flor, dentre tantas outras e não entendi porque aquela havia de ser tão especial. Descobri que não era a rosa, mas as memórias que nela havia, aquela rosa vinha de uma roseira da casa do vizinho, da casa onde antes morava seu melhor amigo, seu primeiro amor.
Aquela simples rosa a fazia se sentir bem, se sentir segura, e no fim das contas, era isso que importava. Ele havia partido, mas a memória dele a fazia sorrir, ele a fazia ser mais feliz do que muitos que achavam possuir tudo, mas que nada tinham para amar, para apertar contra o peito, nada que valesse a pena recordar.
De que adianta ter e não ser, ter tudo para ser feliz e viver com lágrimas escorrendo pelo rosto. De nada adianta viver sem vida, sorrir sem vontade, de nada adianta fingir estar bem quando a dor persiste em dor a cada pulsar, insiste em lembrar e vai te destruindo aos poucos, te tornando mais fraca, mais frágil, mais morta, porque no fim, o que conta mesmo é ser feliz.

terça-feira, 12 de março de 2013

Rabiscos da madrugada

                Meu cigarro hoje foi pra você, foi por você. O uísque também brindei em seu nome. Na minha insônia, estava estampado seu rosto. Nas minhas lágrimas, saudade de você. Na dor do meu peito estava cravado seu nome. E em mim, em mim havia a tristeza de ter te perdido.
                Vinicius de Moraes disse, certa vez, que a felicidade não o deixava ser poeta. Agora eu, me faço o mais romântico dos poetas pela dor e pela tristeza que sua ausência me causa. Vou reaprender a sobreviver sem você, vou te guardar dentro de mim e vou provar, mais uma vez, a mim, que é possível fazer de um falso sorriso, uma máscara para os dias de aflição.
                Certo dia te descrevi em um poema e quando dei por mim, havia descrito o próprio amor. Falei do seu sorriso e do que ele me causava, falei do seu abraço e de como precisava estar ali, cheguei a falar dos seus olhos, mas lembrei de como eram profundos e me perdi no que falava, então deixei pra lá.
                Comecei, então, a falar de seus defeitos e não demorou muito para elogiá-los, pois eu também os amava. Resolvi, no entanto, ignorar suas qualidades, afinal todos amam qualidades, sendo assim, não havia, de certo, um porque para citá-las. Mas continuei a falar de você, te descrevi em cada detalhe, em cada gesto. Depois rasguei o papel em que havia escrito tudo e joguei fora.
                Não havia porque colocar no papel e tentar tirar de mim o mínimo que fosse de você. Você já me era uma parte essencial. Pensar em te esquecer, me fazia lembrar quanto o amava. Falar em te esquecer, era recitar poemas de amor. Fingir que te esqueci era só uma constante lembrança da minha fraqueza de não ter te esquecido. Então ignorei tudo, optei pelo fingir e fui dormir. Amanhã era mais um longo.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Tentativas


                Eu tentei te escrever uma carta de amor, eu tentei fazer com que o meu amor fosse o bastante, eu tentei ainda esquecer as dores, descobri então que você não tentou evitá-las, descobri que ações nem sempre valem mais do que palavras e me decepcionei, com a pior pessoa que poderia me decepcionar, comigo.
                Tentei também me lembrar de como eu era, do que eu tinha e tudo me fugia à mente, agora só havia você e era só isso que importava, era o bastante. Foi o bastante, mas não mais poderia ser. Era preciso descobrir de onde tirar forças agora que tudo havia se esgotado, que todos haviam ido embora e eu fiquei, fiquei pra guarda-los, pra lembra-los, pra sentir a falta e pra “chorar como nunca fui capaz contigo”, e tentar “enfrentar a insônia como gente grande”.
                Então eu chorei, e chorei de novo, e mais um pouco talvez. Descobri que algumas dores não irão embora, simplesmente não irão, mesmo que você tente, mesmo que sorria, ou dança, ou cante, ou beba, ou chore, pois não irá se apagar o amor, nem as dores que ele deixará, quando se forem, quando ele se for.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

De dores de amores


             Me dói no peito, e por mais que eu tente, não vai passar. Me dói a dúvida, me dói o medo, me dói de raiva. Te perco aos poucos sem te perder, te perco dentro de mim apenas por sentir, por saber que apesar de ser meu, não é meu de fato, não é unicamente meu.
          Não há como não querer chorar, ou fugir. A falta da presença sufoca, mas a presença dividida machuca. Talvez seja hora de colocar a cabeça no lugar e descobrir o futuro, talvez tentar entender um pouco o que se passa, o que se há de passar. Chorar todas as lágrimas a muito guardadas, os gritos a muitos presos na garganta, deixar as feridas curarem.
            Não culpe a minha dor, não julgue o meu sofrer, nem tente enxugar minhas lágrimas, elas precisam escorrer, é necessário sofrer o que se tem de sofrer. Mas não tema, meu amor é eterno, é pleno, é certo, é só seu.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Musicalizar-se em dor



           Às vezes fica difícil de acreditar, simplesmente impossível. Acreditava que o amor superava tudo. Pra que vocês foram me iludir? Inebriei-me de Caetano, tomei doses de Chico e acabei por chorar com as ilusões que Tom e Vinicius me causaram. Vocês me enganaram e me traíram, mas ainda amo vocês. Talvez seja esse o amor eterno que tanto falaram.

      “Que seja infinito enquanto dure

Pois não foi e doeu, doeu mais do que eu podia suportar! Eu quero gritar com você, quero gritar com todos, com tudo, não quero o amor, não quero o seu amor (que nunca foi, em fato, de todo meu). Quero paz. Quero a minha paz. Talvez a gente volte a se encontra em um ano, talvez dois. O tempo de conseguir olhar pra você sem sentir essa dor que me consome o peito, que me machuca a alma, que me faz me odiar, porque te amo tanto que não consigo odiar a você.

                Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim, que nada nesse mundo levará você de mim

Ah... Doce engano! Pois me levaram você. Levaram-me tudo que havia de bom em mim, tudo que havia de sentimento. Eu vou passar por cima de tudo, eu vou me reerguer, por mim. Eu não existo sem você, mas vou aprender. Erro meu ter esquecido tanto de mim na intenção de apenas te amar. Mas vou voltar a amar a mim, pois sem mim não vivo e sem você eu sobrevivo, ainda que sem vida!

                Me conta agora como hei de partir”?

Conta-me então como partiu? E como partiu a mim dessa forma? Conta tudo, ou melhor, não conte nada. Prefiro viver na minha ignorância. Prefiro eu mesma dar as respostas que melhor me ajudarem a acordar e conseguir levantar da cama pela manhã sem pensar que está em outros braços. Prefiro imaginar, talvez, que tudo não passou de um sonho bom e que é hora de acordar.

                Solidão apavora. Tudo demorando em ser tão ruim, mas alguma coisa acontece no quando agora em mim, cantando eu mando a tristeza embora

E eu vou cantar. Vou cantar aos quatro ventos até não haver mais voz, até que minha garganta não mais aguente. Vou cantar pra forjar minha felicidade. Vou cantar pra não pensar em você. Vou cantar pra disfarçar tanto amor, tanta dor, tanto tudo. Vou cantar pra minha solidão. Vou cantar pra que não escute o meu choro. Vou cantar. E só.