quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Em alguns finais


Já era chegada hora de partir, mas como sair porta a fora se deixava ali meu coração? Junto a ela estavam as malas com todos os meus pertences, nos olhos dela saudades, nos meus, todo o arrependimento de tê-la feito chorar e entre nós, todo o amor já desgastado pelos múltiplos erros!
Eu pensava em mil e uma coisas que ainda haviam de ser ditas. Pensei em pedir perdão, pensei em dizer quanto a amava, pensei em não dizer nada e apenas beijá-la, mas o que se seguiu foi um “eu já vou indo” desajeitado e encabulado, pedinte de um “fique” da parte dela, mas o que ouvi foi “já é mais que chegada a hora”.
Eu procurava, em meio aquela expressão fria, o rosto que sempre carregava inúmeros sorrisos, mas não havia marcas de felicidade ali. Doía saber que eu era culpado por tamanha dor, que eu deveria sofrer por tudo aquilo e pensei em como resolver, como tentar amenizar... Nada, nada vinha a mente!
Enquanto caminhava para a saída pronunciava baixinho uma oração. Uma declaração de amor. Um pedido de perdão. Uma suplica por um ultimo beijo. Então encontrei a porta que esperava para ser utilizada por mim uma ultima vez. Engasguei um “adeus” e sai.
Lá fora fazia tanto frio que não se podia nem pensar direito, mas de repente abriu-se atrás de mim uma porta. Eu a vi vindo em minha direção. Eu tinha certeza, ela me amava e me daria uma nova chance, meu peito se encheu de alegria, de esperança, de amor. Quando enfim chegou a mim, estendeu-me a mão e disse:
“Toma, você deixou o casaco em cima da mesa e eu não quero nada que seja seu”.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Sobre dores e amores


Existem diversos tipos de dores, mas não há pior que a dor por amor. Todos já sentimos e vamos continuar a sentir no decorrer de nossas vidas. Sempre criamos a ilusão de que aprenderemos a lidar com ela, mas como toda boa ilusão, a dor só irá piorar por conta dela. Quando amamos esquecemos tudo, erramos mais que o habitual e não percebemos o quão patético e frágil ficamos em frente a pessoa amada. E apesar de tanto sofrimento, o amor é ainda o ideal de felicidade das pessoas, sentir-se plena e completa, sentir-se amada, sentir-se feliz. Não me arrependo de meus amores, nem de meus erros, muitos dos meus erros foram meus amores ou causados por eles. Mas aqueles que nunca amaram, não viveram, não arriscaram, não sentiram o prazer de se sentir algo indescritível. Os que nunca sofreram por amor, não amaram, não era real, intenso, pleno. Aqueles que machucaram seus amores, ou amaram demais ou de menos, erraram, mas sempre se pode mudar. Aqueles que foram machucados, choraram, perdoaram ou não, se arrependeram ou não, mas todos puderam dizer em alto e bom tom a seguinte verdade: EU TIVE UM GRANDE AMOR!

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Diálogo

- Mas o que mudou?
- Eu mudei!
- Por quê?
- Porque encontrei alguém por quem valia à pena mudar.
- Por mim não valeria?
- Com você eu não precisaria mudar!
- Então por que mudou?
- Porque me vale mais viver triste e fingindo, mas aceito pelo mundo, do que ser eu mesmo e não ter a ninguém!
- Ninguém? Você tinha a mim, você tinha o meu amor, você tinha...
- Não era o bastante!

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Calendário


“Os dias estão voando, duas folhas do calendário já foram arrancadas desde a última vez que nos vimos”

            Como era possível? Já haviam se passado dois meses? Eu contava os dias tentando lembrar o que havia feito durante esse tempo, mas nada justificava.
            Talvez eu tivesse adormecido sem notar e só tenha despertado agora. Talvez meu subconsciente, na luta para retornas aos dias em que estávamos juntos, não me deixou notar o tempo passando. Talvez seja só a saudade que tenha me cegado.

“Eu te amo”

            Como sou feliz por ser essa última frase que me disse. Já tentei ligar pra você, já escrevi, já fiz de tudo. Vai demorar até que nos reencontremos, mas não vou, nem por um instante, te esquecer. Nem diminuirá o meu amor, pelo contrário, a saudade só nutriu esse sentimento, que de tão grande, não me cabe mais no peito e algumas vezes me escapa pelos olhos.

- Alô?!
- Volte agora...

            Agora sou eu que lhe peço, suplico... Volte! Eu preciso tanto de você, não me deixe... Por favor, eu te amo!

“Adeus”

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Encomenda


Sabe aquelas sábias palavras não ditas? Dedico todas à você. Dedico também minhas reações desajeitadas de felicidade por ter me esquecido como é ser tão feliz! Dedico minhas noites em claro! Dedico um “eu te adoro” ainda que desacreditado! Dedico os suspiros e os sonhos! Dedico tudo que tiver de carinho em mim! Dedico as milhões de desculpas já pedidas e as que ainda irei! Dedico a vontade de estar junto pra poder pedir essas desculpas! Dedico cada fio de cabelo meu e ainda as lágrimas que vou derramar se você se for! Dedico só por dedicar! Só por ter guardado como uma encomenda que errou de endereço e nunca foi entregue!