Caro amigo, tanto que se podia dizer e calamos. Tanto que
não se devia dizer e insistimos em repetir. Tantas coisas a que damos importância
e não deveríamos. Tantas coisas as quais deveríamos correr atrás, lutar,
implorar e, no entanto deixamos pra depois. Tanto que devíamos viver e
insistimos em moer coisas passadas, sofrer por nada e se achar na razão, como
se a lágrima do outro fosse em vão, ou fazer do silêncio do outro um motivo
para gritar. Que tal agora parar? Pensar de novo? Rever sua própria vida, seu
próprio “eu”? Que tal viver? E se for possível, aprender a conviver com a dor,
pois independente do motivo, ou da imensidade, ela vai sempre estar ai...
sábado, 16 de junho de 2012
sexta-feira, 8 de junho de 2012
[Não] sentir
_ Sabe algo terrível de se sentir?
_ O que?
_ Nada!
_ Como assim? Tudo é bom de se sentir!
_ Qualquer "sentir" é bom. Não sentir absolutamente nada, é enlouquecedor!
quarta-feira, 6 de junho de 2012
A você
Talvez seja inútil tentar colocar
em palavras tudo que se passa na cabeça e no coração, mas é preciso tentar
colocar em algum lugar, de alguma forma, caso não o fizesse, acredito que
explodiria, é muita dor, muito amor, muitas lembranças, é tudo em excesso e “em
excesso até o fracasso faz sucesso por ai”.
Vou te contar tudo, é a você que
escrevo, na doce esperança que me escute em prece, ou de qualquer forma, porque
não há como não querer ainda conversar, desabafar, te ver sorrir e até mesmo
chorar, nem que suas lágrimas caiam através dos meus olhos.
Parece estranho dizer, mas não
fiquei triste no dia da sua morte. Lembro quando me disse que queria que acabasse toda a dor que estava sentindo. Fiquei até feliz por ter finalmente
encontrado a paz e quando enfim chegamos em casa aquele caixão fechado entrando
porta a dentro arrancou da minha alma as lágrimas que a muito estava segurando.
Não fiquei triste durante seu
velório. Sei que é ridículo dizer, mas tinha uma esperança estúpida de que você
acordasse, dissesse que era brincadeira, se levantasse. Lembrei de quando te
olhava dormir, sentia um medo imenso de te perder, mas então você sempre
acordava e sorria pra mim.
No caminho para o cemitério
comecei a sentir a mais profunda tristeza que um ser humano poderá sentir, me sugava
as forças, pensei em não ter nem como continuar a andar e não sei descrever
como o fiz, talvez fosse porque não queria ficar distante de você e precisaria
continuar aquela caminhada aterrorizante.
Quando vi seu caixão aberto pela
última vez comecei a notar o que realmente estava acontecendo e quando
começaram a jogar toda aquela terra, eu quis gritar para que parassem, era meu
pai ali em baixo e se precisasse de ajuda, tanta terra, iria pesar, mas não
havia mais voz, não havia mais nada.
Escondi-me para surtar pela
segunda vez e chorar. Devo dizer que todos os amigos que estavam comigo me
deram tanta força que até arranquei sorrisos quando chegamos a casa, na nossa
casa. Sabe, você conseguiu, pediu para que eu e meus irmãos nos uníssemos, pois
estamos mais unidos que nunca.
Fui pra o cursinho na tentativa
de fugir de tudo e lá surtei pela terceira vez. Mas até aquele momento as
lágrimas me vinham do nada e paravam instantaneamente e eu de repente estava
bem de novo. Eu dormi como um anjo naquela noite e você com os anjos, mas
dormir é fácil, o difícil é acordar.
O dia que se seguiu foi o pior da
minha vida. Veio à tona a certeza de não lhe ter mais e acredite, eu fiz de tudo
para me distrair. A casa toda me lembra você. Seus óculos ainda em cima da mesa,
seu perfume, sua escova de dente, suas roupas, seu cinto, seus livros, no alto
da parede do meu quarto escrito “carpe diem” e a lembrança de nós dois fazendo
aquela pintura desajeitada, todo carro igual ao seu que passa, eu olho
desesperadamente e todas as plantas ao redor da casa, cheias de vida e você sem
a sua.
Nunca imaginei tamanha dor e não
a desejo pra ninguém. Ela lhe sufoca, ela vem do corpo, da mente, do coração e
da alma. Sua vida é roubada e você continua respirando, seu coração ainda bate
e você não entende porque ainda está de pé. Não se há voz suficiente para
gritar ao mundo a vontade que tenho de você e que faria tudo pra ter você aqui.
Eu te amo tanto, a cada segundo
mais e mais. As lágrimas agora caem do meu rosto o tempo inteiro, pois a todo o
momento me desespero com o fato de que você não vai mais estar aqui.
Quando deito ainda lembro-me da
última vez que te vi sair daqui de casa, lembro da última vez que dormi junto a
você e a minha mãe, lembro do último beijo que te dei já com o corpo gelado,
lembro da última vez que vi seus olhos e me lembro que a última coisa que me
disse foi que me amava.
Hoje sei o que é um amor
incondicional, sei que nada dura pra sempre, sei que sempre vou me lembrar de
você e que essa dor jamais terá fim, sei tanta coisa e ainda não sei de nada.
Mas a maior certeza que tenho é que sempre, sempre vou lhe amar, que eu te amo
e que com você foi-se um pedaço essencial de mim.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Tudo que havia de ser dito
E é justamente nos momentos de solidão que você me vem a cabeça e eu sinto o buraco no peito, que machuca toda vez que tento fingir que não está com você o pedaço que me falta no peito. Todo o resto foi machucado e vai se machucando com suas palavras, com seu desprezo e ficam as dúvidas, de como poderia ter sido, de como é possível ter tido uma pessoa e perdido e o porque de prosseguir te amando, por mais que você não acredite nesse amor! Sobra tanta falta. Falta de tudo, dos sonhos, das lembraças, falta de você, falta de mim. Falta tudo. Seguir talvez não seja a melhor opção, no entanto, é a única. Porque não há como ficar calada, parada, e não pensar que sem você sempre há de me faltar algo, algo tão essencial quanto o ar, mas eu tive que aprender a sobreviver sem, a morrer em vida, todos os dias...
sábado, 19 de maio de 2012
Se passa... por aqui
Por mais que não se acredite, há coisas que são feitas sem
pensar. Sabe-se que é um erro, mas faz-se da mesma forma. Há coisas boas que
acontecem em momentos ruins, são corrompidas pelos momentos ruins e apodrecem.
Há historias de amor tão intensas que duram instantes. Há sorrisos que
demonstram mais tristezas que enxurradas de lágrimas. A verdadeira ironia da
vida é viver. Eu sinto muito, realmente sinto. Nunca amei tanto e nunca magoei
tanto alguém. Em outra hora, outra situação, tentaria ser perfeita. Perfeição
está tão longe de mim por hora. Inerte sim, volto a ser o que era antes pra
conseguir sobreviver ao tsunami que se aproxima. Ele vem vermelho, sujo,
hemorragia interna. Só quem passa sabe o que é estar confusa a ponto de não se
reconhecer mais. E ter na lágrima do outro sua própria cova.
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