sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Certas leituras...

Foi devagarzinho e sem notar, de repente, acabou. Fechei o livro de uma forma doce, e respirei fundo como há muito não fazia. Estranho como um simples livro pode nos fazer sentir. Foi de uma leveza, eu me senti tão bem.
Pensei em você ao terminar, o que não deve estar relacionado ao livro, já que penso em você com uma frequência que me incomoda até os ossos. Ainda assim, achei válido dizer, pensei em você. Não se sinta grande por isso, não pensei em você apenas, pensei em outros dois.
O primeiro, pensei por conta do livro, o outro, pela leveza da alma que sentia naquele momento. É impressionante que não importa pra onde fuja, no fim, tudo me volta a vocês o que me deixa em agonia, por querer parar com essa mania autodestrutiva.
Bobagem minha ficar por ai pensando em uns e outros como se ainda fizessem parte da minha vida ou como se algum dia fosse fazer, mas não pude evitar. Aquele fim de leitura, aquele pôr do sol e aquele monte de sentimento acumulado, aquele caminhão de palavras não ditas e as respirações fundas, que tentavam limpar minha alma.

Foi ai que eu notei, passou. Aquelas páginas, de alguma forma, iniciou um processo de cura em mim. Um dia contarei diretamente a você, a vocês três. Eu me curei, eu não penso em vocês, não desejo falar com você, não sinto dor, não choro. Nesse dia, beberei em homenagem a um, fumarei em homenagem a outro, dançarei em homenagem a outro e me masturbarei até gozar, mas isso será em minha homenagem mesmo.

sábado, 27 de dezembro de 2014

DR's

Não... Me escuta! Não é possível que essa sua maldita mania de tomar suas prioridades como minha não tenha acabado. É, é exatamente isso... Você e sua maldita mania! Egoísta! E – go... Hãn?! Do que você tá falando? Não vê tudo que abri mão por você? Não vê do que estou abrindo mão dia após dia? Eu não posso acreditar no que estou ouvindo... Não, não é possível, parece que não me nota, não sabe nada de mim... Sim, sim, eu tenho necessidades, eu também choro, eu também sinto saudades, eu sou humana sabia? Eu não sei o quanto mais vou aguentar!... É isso mesmo, eu tô cansada! Mais que isso, eu tô exausta! Claro que não vou te deixar, sabe que não poderia, ficaremos juntos até o fim. E sim, você sabe, faço qualquer coisa pra te ver bem. Qualquer coisa! Mas por favor, entenda, eu preciso respirar, preciso ter um tempo de sonhar, um tempo de ócio. Só isso.

sábado, 6 de dezembro de 2014

T

Ele sussurrou em meu ouvido que me amava e eu tentei a todo custo amá-lo de volta. Foi um sussurro tão sincero, tão tocante, qualquer uma ficaria vislumbrada, qualquer uma gostaria de ouvir, mas eu não. Nem tesão eu sentia mais, como podia eu não sentir mais tesão? Às vezes, no meio da noite, quando sabia que precisava de mim e me abraçava, eu pensava que estava longe, queria fugir dali. Meu coração já despedaçado não sabe mais o que é amar e talvez por isso não sinta prazer em ter por perto, mas tesão? Ele me disse que eu não sabia abraçar. Como ousa? Esta é uma das três coisas que sei, junto com sofrer e mentir. Mas ele estava certo, eu não sabia abraçar, então talvez não soubesse mais mentir, e estivesse me enganando achando que estava mentindo quando era a mais pura verdade que dizia. Talvez não soubesse mais sofrer e por isso estivesse me tornando essa pessoa fria, vazia e sem tesão. Mas como se vive sem tesão? Não se vive assim, essa é a verdade. Vou esperar a próxima chuva, para que ela me traga aos olhos a cegueira do prazer, assim talvez eu recomece, eu descubra o que me falta, talvez eu perceba que de tudo, só o que me falta é você.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Um xote

É um abraço meio manso, meio dengoso, meu sem jeito. E você anda abraçada pra lá e pra cá. E encosta o rosto, vai misturando seu cheiro, misturando suor, encostando a perna, o peito, o coração. E vai mexendo o ombro, a perna a cabeça, a mente, a alma. E vai se lavando, se renovando, renascendo a cada giro. E vai encostando mais, se tornando um só, grudando, pertencendo, dançando.  E depois? Você não tira mais esse balanço da cabeça, porque ele te ganhou e você precisa dele pra respirar ou morrer de tanto se afogar nesse prazer.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Esse tal do amor...

            Esse tal de amor que todos buscam me irrita, me causa toda aquela náusea, todo aquele asco que vem de vez em vez, quando você encontra algo que despreza com sua alma. Essa busca pelo tal do amor, isso é o que ela me causa. E não pelo fato de se buscar algo tão remotamente provável, mas pelo fato de que ninguém sabe exatamente o que isso é.
            Encontrar alguém que te faça feliz, que te complete, que te faça sentir a plena e mais pura alegria por acordar todos os dias ao lado de uma pessoa completamente descabelada, com os olhos sujos, cara amassada e sabe-se lá o que mais. Então, me pergunto, porque as pessoas julgam o amor pelo tamanho do sofrimento, pela quantidade de coragem que se tem de arriscar, pelas lágrimas derramadas, pelas noites perdidas, pelas coisas que te faziam bem e que foram deixadas de lado para que se possa obter esse tal amor.
            Não, nenhuma dessas pessoas sabe o que é amor, elas não sabem e nem eu sei. Porque para se sentir algo tão magicamente completo e belo, é preciso se permitir esperar, se permitir ver além, é preciso aprender a aceitar erros, saber que se colocar menor não é amar mais ao outro, é apenas se amar menos.
            As pessoas tem tanta pressa em encontrar algo que as preencha que se jogam no primeiro poço, que tentam e tentam e acreditam que errando vão conseguir acertar, mas a pressa por prazer, por carne, por ter com quem dividir o mínimo que seja de suas próprias aflições os fazem apenas chegar ainda em vida ao fim para qual nós todos estamos destinados, a eterna solidão.