quarta-feira, 17 de maio de 2023

Cartas

                Hoje está sendo doloroso. Por uma bobagem, eu sei, mas são as pequenas dores as que mais incomodam. Como uma pequena farpa, difícil de ser arrancada, de ser vista, no entanto, sentida com intensidade.

                Me aconselharam a transbordar, mas pequenas dores não transbordam. Elas nos consomem e no diminuem para que em algum momento se tornem maiores que nós, e aí sim, se transmutam em lágrimas.

                Um oceano talvez seja a melhor comparação. Sim, um oceano inteiro que não se importa o quão bom nadador você é, ainda assim, ele te engole e faz de tudo para te afogar. E mesmo que no fim você se salve do tal afogamento, e apenas vague boiando por aí, ele irá te ferir, pois um oceano inteiro de água, jamais matará tua sede.

                 E é nesse vagar que perceberá que o mesmo sol que te esquenta, te queima a pele. Quem muito busca o calor, tende a se queimar. Afinal, até o ferro, no mar e no sol, enferruja, deteriora, muda e se torna frágil e gasto.

                Mas falávamos de dor, não é? Daquela que não pode ser vista, de feridas escondidas e muitas vezes imperceptíveis a olhares desatentos. Olhares que ainda cruzando com olhos vazios e negros como turmalina, não conseguem perceber a imensidão, o abismo, a solidão.

                É! O hoje se superou, me superou. Mas como temos a maldita mania de nos deixar consumir aos poucos, aguardarei amanhã pelo meu dia de praia.

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Reciclagem

Descartável, foi assim que me senti. Como um copo de plástico que você joga fora depois de saciar a sede. Colocada de lado como se não fosse nada e de fato, talvez eu não fosse. 
Eu nunca pensei em passar por isso, não dessa forma, eu não tive voz, ou escolha ou nada, mas que escolha tem o copinho de plástico. Amassado, rasgado, descartado. O nome por si só diz seu destino: copo descartável.
Não achei que com pessoas fosse assim tão fácil de se fazer. Sem que nem por que. Sem... Bem, de que adianta. Os destroços que foram jogando ao meu redor antes de me descartar estão aqui, me enojando, me permitindo pensar em como cheguei aqui. Mas a verdade é que pensar assim coloca em mim uma posição de escolha e eu não tive, fui jogada. 
Um dia OK, no outro. 
Talvez agora seja a hora de pensar em reciclagem. Juntar os cacos que um dia formaram a mim. E lembrar, nunca tentar valorizar a amizade de alguém que não acredita que ela teria futuro. 

sábado, 23 de julho de 2022

Plantações

A vida nada mais é que um emaranhado de acontecimentos e ironias que a cada dia nos surpreende, chocam e atingem em partes que por muito tentamos esconder.
Assim se fez em ironia numa tarde fria de sábado a leitura de um livro, que venho postergando em sua leitura.
A comicidade dos fatos se dá por eu ter a inocente crença em uma força que nos leva a determinados caminhos e assim ela se faz, quando em mim, por vezes, se desperta a vontade de ler ou assistir algo que havia deixado de lado esperando pela sensação de ser o momento certo a fazê-lo. 
Confesso que não foi tão somente a história que me golpeou, mesmo tendo ela sua parcela de culpa quando me pus a refletir entre as minhas muitas versões, e talvez a vontade de transparecer uma versão minha que alimento como uma vontade crescente de tê-la, ainda que saiba ser errada, apenas por estar cansada pelas marcas que a ausência dela me causam.
Ao final do livro, a dedicatória, devo confessar que já esquecida, me atingiu. A ironia... "Para aquela que segue colhendo uma plantação que nunca semeou"... Veio até mim, como uma onda que nos pega desprevenidos a beira do mar, o fato que minha última colheita, dolorida e sem razão, veio por sementes plantadas por você, o próprio autor.
Deixo aqui o desabafo da ironia de que tanto falamos disso, e que a mim atribuiu o poder de sorrir mesmo colhendo ervas, e o quão injusto achava. Veio por você as tais ervas daninhas que ainda estão plantadas no meu quintal, e por mais que os sorrisos disfarçados sigam florescendo com muito esforço, ainda me causam dor. 

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Pausa para poesia III

Meu sexo tem gosto de você
Minha pele teu cheiro
Meus olhos teu prazer

Minha boca é tua casa
Nos meus braços é teu lar
Mas no meu coração...

Nesse já não há!

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Na ponta do pé...

      Eu preciso confessar, nunca fui tão feliz, e você caro leitor pode pensar nas mil e uma coisas que mudaram na minha vida, mas a mudança foi uma só e colocou tudo de cabeça pra baixo. Foi ELE, tão lindo, tão carinho, tão maravilhoso. Como não ficar totalmente deslumbrada com alguém assim.
      E foi ai que tudo começou, ELE veio conquistando o espaço dele, começou a fazer com que eu gostasse de coisas que eu por muitas vezes me negava, e me elogiou. Nossa, eu não sei vocês, mas há muito não recebia um elogio, mas um elogio de verdade, aquele sem que nem porque e não pelo fato que você terminou um serviço pra alguém.
      Não só me elogiou, ELE me fez sentir especial, única, amada. Sei que posso estar soando clichê, mas não ligo. Tantos foram os filmes de adolescentes que assisti e fiquei na esperança de que um cara legal me notasse. Bem, não foi nada como nos contos de fada, ou nos filmes, se bem que, toda história, quando bem contada vira mágica, mas ainda assim, foi incrível.
      Nunca pensei que poderia ser tão feliz, me sentir tão completa, nunca pensei em deixar a minha vida por conta do destino, por ter certeza que independente do que aconteça, sei que ELE vai estar lá e por isso não tenho que temer, ELE é o meu futuro e isso é tudo que eu preciso saber.

      Ao meu amado fica minha declaração, de amor, de alma, de tudo! E o meu muito obrigado por me amar, por fazer sentir amada e por ter me dado alguém pra amar.